Os finais de cavalos têm fama: lembram muito os finais de peões, só que cheios de alçapões. O cavalo é uma peça de curto alcance, então não consegue correr de um lado do tabuleiro para o outro, e muitas vezes precisa de três ou quatro lances para chegar a uma casa que parece perto. Ao mesmo tempo, ele pode garfar rei e peão do nada.
Essa mistura de deslocamento lento e tática repentina faz dos problemas de finais de cavalos um ótimo treino de cálculo. Você não pode confiar só em regras gerais; precisa enxergar os saltos.
Por que os cavalos são diferentes
Três propriedades explicam quase tudo o que acontece nessas posições.
O cavalo não consegue perder um tempo. Todo lance de cavalo termina numa casa de cor oposta, então ele só volta à mesma casa depois de um número par de lances. Se você precisa passar a vez para o adversário, o cavalo não pode simplesmente esperar como um bispo pode. Por isso o zugzwang aparece tanto.
O cavalo é lento em longas distâncias. Um peão passado do outro lado do tabuleiro é um problema sério para um cavalo. Quanto mais espalhados estão os peões, melhor para o lado que tem o peão passado.
Peões de torre são o pesadelo do cavalo. Perto da borda o cavalo tem menos casas, então parar um peão na coluna a ou h costuma ser complicado. Por outro lado, um cavalo bem na frente de um peão passado central, apoiado pelo seu rei, é um bloqueador muito sólido.
Como achar o lance num problema de final de cavalos
Comece pelos garfos. Olhe cada casa que seu cavalo alcança em um ou dois lances e pergunte o que ele atacaria dali. Um rei e um peão desprotegido, ou um rei e a casa na frente de um peão passado, são os alvos de sempre. Às vezes o garfo só funciona depois de um avanço de peão que arrasta o rei inimigo para a casa certa.
Depois, olhe a corrida. Conte quantos lances seu cavalo precisa para parar o peão passado inimigo e quantos lances o peão precisa para promover. Cavalos perdem essas corridas mais vezes do que você imagina, então faça a conta com honestidade.
Por último, pense em passar para um final de peões. Trocar os cavalos costuma ser o jeito mais limpo de ganhar, mas só se o final de peões resultante for vencedor. Confira a posição dos reis e a oposição antes de oferecer a troca.
Erros comuns
- Calcular mal a distância. Casas que parecem vizinhas podem estar a três saltos de cavalo. Conte saltos, não a distância visual.
- Deixar peões soltos. Peões desprotegidos são isca para garfos. Um rei que pisa numa casa alinhada com um peão pendurado está pedindo para levar um garfo.
- Deixar o rei passivo. Nos finais de cavalos, o rei muitas vezes é o melhor defensor e o melhor atacante. Um rei centralizado apoia o cavalo e chega rápido aos peões passados.
- Esquecer que o cavalo pode se sacrificar. Entregar o cavalo pelos últimos peões inimigos pode salvar o empate, porque só com o cavalo, ou com rei e cavalo, não dá para forçar o mate.
Dicas que facilitam os saltos
- Aprenda o mapa de distâncias do cavalo. Pratique quantos lances um cavalo precisa para ir de uma casa a outra. Longe dos cantos, chegar a uma casa vizinha na diagonal leva dois lances, enquanto uma casa logo ao lado do cavalo leva três.
- Use xeques para ganhar tempo. Um xeque de cavalo pode aproximar seu cavalo do peão passado enquanto o rei inimigo sai do caminho. Esses xeques que ganham tempo são uma solução comum.
- Crie um peão passado na borda. Quando quem ataca é você, um peão de torre passado longe da ação estica o cavalo até o limite.
Os problemas de finais de cavalos premiam os saltos bem calculados. Quando eles ficam familiares, você começa a ver garfos e bloqueios antes mesmo de a posição aparecer no tabuleiro.




