Princípios de abertura no xadrez para iniciantes

Domine o centro, desenvolva, faça o roque e fuja das armadilhas clássicas, sem decorar nada.

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Você não precisa decorar longas variantes de abertura para jogar bem os primeiros lances. No nível de iniciante e de clube, as partidas raramente são decididas por teoria profunda. Elas são decididas por quem segue alguns princípios sólidos e evita algumas armadilhas clássicas. Entenda as ideias por trás de uma boa abertura e você vai chegar a um meio-jogo saudável em quase toda partida, faça o adversário o que fizer.

A abertura tem três tarefas: garantir sua fatia do centro, colocar as peças em jogo e deixar o rei em segurança. Tudo o que vem a seguir serve a um desses três objetivos.

1. Lute pelo centro

As quatro casas centrais, d4, e4, d5 e e5, são o terreno mais valioso do tabuleiro. Peças no centro ou perto dele controlam mais casas e conseguem passar rapidamente de uma ala para a outra. Um cavalo na borda controla no máximo quatro casas; o mesmo cavalo no centro controla oito.

O jeito mais simples de conquistar o centro é avançar um ou os dois peões centrais duas casas nos primeiros lances. Isso abre caminho para os bispos e a dama e marca presença em casas importantes. Você também pode controlar o centro à distância, com cavalos e bispos mirando nele, mas nas primeiras partidas colocar peões ali é o caminho mais claro.

Só não exagere nos lances de peão. Dois lances de peões centrais costumam bastar para começar. Cada lance de peão a mais é um lance a menos para desenvolver uma peça.

2. Desenvolva suas peças rápido

Desenvolver significa tirar as peças das casas iniciais e levá-las para onde elas façam um trabalho útil. Na abertura, tente colocar os cavalos e os bispos em jogo nos primeiros lances.

Algumas orientações práticas:

  • Cavalos antes dos bispos, como regra geral. Os cavalos têm menos casas boas, e as melhores, em geral mais perto do centro, já ficam evidentes logo no começo. Os bispos podem esperar um lance para ver onde se encaixam.
  • Desenvolva em direção ao centro. Um cavalo em f3 ou c3 (ou f6 e c6 para as pretas) é quase sempre melhor do que um em h3 ou a3.
  • Todo lance precisa fazer alguma coisa. Pergunte a si mesmo o que cada lance desenvolve, ataca ou prepara.

De vez em quando, conte suas peças desenvolvidas. Se o adversário já tem quatro peças em jogo e você só uma, você está ficando para trás, e essa diferença costuma virar um ataque contra você.

3. Não mexa a mesma peça duas vezes sem motivo

Mexer uma peça várias vezes enquanto as outras ficam em casa é perda de tempo. Cada lance da abertura é precioso, e gastar três deles com um único cavalo significa que outras duas peças não foram desenvolvidas.

Existem bons motivos para quebrar essa regra: ganhar material, responder a um ataque direto ou criar uma ameaça de verdade. Mas uma peça que passeia sem rumo pelo tabuleiro logo no começo costuma ser perseguida pelos lances de desenvolvimento do adversário, que ganha tempo às suas custas.

4. Cuidado ao sair cedo com a dama

Tirar a dama cedo é tentador. Ela é poderosa, e um ataque rápido de dama pode ganhar a partida contra um adversário desprevenido. O problema é que ela também é um alvo enorme. O adversário pode atacá-la com cavalos, bispos e peões enquanto desenvolve essas peças, e cada vez que ela precisa fugir, você perde um lance e ele ganha um.

Normalmente é melhor desenvolver primeiro as peças menores e trazer a dama quando você souber onde ela vai ficar segura e útil. Isso não quer dizer que a dama nunca pode sair cedo; quer dizer que cada lance de dama no começo precisa de um objetivo claro, e você deve conferir onde ela pode ser atacada em seguida.

5. Proteja o rei com o roque

No centro, o seu rei fica exposto às colunas e diagonais que se abrem conforme os peões são trocados. O roque leva o rei para o canto, atrás de uma muralha de peões, e traz uma torre para o meio, tudo num único lance. Na maioria das vezes, faça o roque até o décimo lance, mais ou menos.

Para rocar, o rei e a torre envolvidos não podem ter se mexido, as casas entre eles precisam estar vazias, e o rei não pode estar em xeque nem passar por uma casa atacada ou parar nela. Por isso você desenvolve antes o cavalo e o bispo do lado em que quer rocar: eles abrem o caminho.

Depois do roque, pense duas vezes antes de avançar os peões na frente do rei. Cada lance de peão ali pode criar buracos que as peças adversárias vão usar mais tarde.

6. Fique de olho nas armadilhas clássicas da abertura

A maioria dos desastres de abertura no nível iniciante vem de alguns padrões que se repetem.

As casas fracas f7 e f2

No começo da partida, o peão de f7 é defendido só pelo rei preto, e o de f2 só pelo rei branco. Isso faz deles alvos naturais. Um ataque típico de iniciante, o famoso mate do pastor, alinha a dama e um bispo contra esse peão e ameaça capturar em f7 ou f2 com xeque-mate. A defesa é simples quando você a conhece: sempre que a dama e o bispo adversários mirarem no seu peão f, acrescente um defensor, bloqueie uma das linhas de ataque ou expulse a dama atacante com um lance de desenvolvimento. Contra esse truque, conferir o que a dama adversária ataca depois de cada lance é o melhor hábito que você pode criar.

Enfraquecer a diagonal do rei

Avançar cedo os peões f e g abre uma diagonal direto até o seu rei. No pior caso, a dama adversária desliza por essa diagonal e dá mate nos primeiros lances. Deixe os peões na frente do rei quietos até entender exatamente por que você vai avançá-los.

Comer peões e ficar para trás

Comer um peão nem sempre é um presente. Se capturá-lo custa vários lances, leva sua dama para longe de casa ou deixa seu rei no centro, o adversário pode ganhar uma vantagem decisiva em desenvolvimento. Antes de capturar, pergunte-se quantos lances isso custa e se o adversário ganha um ataque perigoso em troca.

7. Conecte as torres

Um bom sinal de que sua abertura terminou é quando as torres estão conectadas: nada fica entre elas na primeira fileira, então uma defende a outra e as duas podem ir livremente para qualquer coluna. Para chegar lá, desenvolva cavalos e bispos, faça o roque e tire a dama da primeira fileira, muitas vezes só uma casa para a frente. Depois coloque as torres em colunas abertas ou semiabertas, onde elas entram no jogo.

Para fechar

Conquiste o centro, desenvolva cavalos e bispos, faça o roque cedo, mantenha a dama segura e cuide do seu peão f. Depois conecte as torres e você está pronto para o meio-jogo. O Springer lembraria que princípios são guias, não correntes: se o adversário entregar uma peça no quinto lance, pegue. Fora isso, jogue lances sólidos e com objetivo e deixe as vantagens se acumularem.

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